Quando falamos em imparcialidade pensamos logo em jornalistas. Ao realizar o seu trabalho esses profissionais têm como premissa abolir de suas matérias suas opiniões pessoais sobre o assunto. Sua missão é passar a informação como ela realmente é, fazendo com que o expectador tire suas próprias conclusões. Em mídia a realidade não é muito diferente. Temos que ser imparciais sempre. Para defender um programa contamos com os dados de pesquisa, aquele famoso feeling de mídia, mas nunca, nunca mesmo, com a nossa opinião sobre a programação. Se gostamos ou assistimos um programa não vem ao caso, pois na maioria das vezes não somos o público-alvo do produto que nosso cliente quer vender.
Como profissional, digo que o maior exemplo disso é o Big Brother Brasil. Pessoalmente não gosto do programa. Acredito que tudo é manipulado e não tenho afinidade nenhuma por todas aquelas pessoas com corpos maravilhosos que ficam trancafiadas em uma casa inventando enredos de amores, intrigas, mentiras e falsidades. São praticamente 90 dias de programação perdida, nos quais sempre busco outro canal ou zapeio entre todos eles. Em contra-partida, indico o programa aos meus clientes e, profissionalmente, adoro assistir às provas de liderança. O programa é, para mim, o melhor exemplo de merchandising da televisão brasileira. Com patrocinadores que investem pesado e compram a ideia, o programa já exibiu provas onde os competidores eram presos pelos pés pelo famoso “Super Bonder”, procuravam por carros e respondiam a perguntas técnicas sobre eles no pátio da “Fiat”, dançavam como as esponjas do “Minuano” e tomavam um bom café com “Doriana” gigante.
Nossa rotina como mídia é conhecer ao máximo o produto que vendemos. Sim, somos representantes de todas as mídias e programas, vendedores de números audiência, impactos, CPM (custo por mil) e CPP,(custo por ponto), mas diferente dos profissionais de vendas, não aumentamos a qualidade do que vendemos e nem assinamos as vendas com aquele clássico “pode confiar, eu também uso”. Nessa hora nos parecemos mais com os jornalistas, onde a imparcialidade é tudo.
Por Gabriela Sipioni, Executiva de Mídia da Prósper









