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Imparcialidade é tudo

2/03/10

Quando falamos em imparcialidade pensamos logo em jornalistas. Ao realizar o seu trabalho esses profissionais têm como premissa abolir de suas matérias suas opiniões pessoais sobre o assunto. Sua missão é passar a informação como ela realmente é, fazendo com que o expectador tire suas próprias conclusões. Em mídia a realidade não é muito diferente. Temos que ser imparciais sempre. Para defender um programa contamos com os dados de pesquisa, aquele famoso feeling de mídia, mas nunca, nunca mesmo, com a nossa opinião sobre a programação. Se gostamos ou assistimos um programa não vem ao caso, pois na maioria das vezes não somos o público-alvo do produto que nosso cliente quer vender.

Como profissional, digo que o maior exemplo disso é o Big Brother Brasil. Pessoalmente não gosto do programa. Acredito que tudo é manipulado e não tenho afinidade nenhuma por todas aquelas pessoas com corpos maravilhosos que ficam trancafiadas em uma casa inventando enredos de amores, intrigas, mentiras e falsidades. São praticamente 90 dias de programação perdida, nos quais sempre busco outro canal ou zapeio entre todos eles. Em contra-partida, indico o programa aos meus clientes e, profissionalmente, adoro assistir às provas de liderança. O programa é, para mim, o melhor exemplo de merchandising da televisão brasileira. Com patrocinadores que investem pesado e compram a ideia, o programa já exibiu provas onde os competidores eram presos pelos pés pelo famoso “Super Bonder”, procuravam por carros e respondiam a perguntas técnicas sobre eles no pátio da “Fiat”, dançavam como as esponjas do “Minuano” e tomavam um bom café com “Doriana” gigante.

Nossa rotina como mídia é conhecer ao máximo o produto que vendemos. Sim, somos representantes de todas as mídias e programas, vendedores de números audiência, impactos, CPM  (custo por mil) e CPP,(custo por ponto), mas diferente dos profissionais de vendas, não aumentamos a qualidade do que vendemos e nem assinamos as vendas com aquele clássico “pode confiar, eu também uso”. Nessa hora nos parecemos mais com os jornalistas, onde a imparcialidade é tudo.

Por Gabriela Sipioni, Executiva de Mídia da Prósper

Preparar. Criar. Fogo.

4/02/10

Criação. A alma criativa das agências de publicidade. São desses soldados que saem os grandes anúncios, grandes filmes, grandes spots, grandes ideias. Calma, não é bem assim. Se engana quem acha que são esses os merecedores de uma peça digna de prêmio. Pois não são, não apenas eles. Faço parte da criação e posso afirmar: tem muita coisa por trás de uma peça bem criada, e só quem está no dia a dia de uma agência conhece esse processo. Errada está a sala de criação que limita-se a criar sozinha. Errado está o profissional dos outros departamentos que não se vê como criativo. E acredite, todo ano as faculdades têm formado gente assim, que não sabe pra que veio. Estão perdidos. São cegos em tiroteio. Viu como dá pra comparar a publicidade com os filmes de 2ª Guerra Mundial? Pode reparar. No mercado sempre tem gente que sai atirando pra tudo quanto é lado e acha essa a melhor das estratégias. Acabam no chão, deixando o fuzil para as tropas inimigas. Por isso que a frase “pra quem não sabe aonde ir, qualquer caminho serve” não funciona na propaganda criativa. Que belo tiro no pé.

Pode-se dizer que criar é uma corrente. Um elo deve estar ligado ao outro. Se afrouxar algum, pode esquecer, vai dar errado. A dupla precisa de um atendimento criativo, que precisa de um produtor criativo, que precisa de um mídia criativo. E todos eles precisam de um fornecedor criativo. E é nesse ponto que quero chegar. Nessa batalha os fornecedores são os aliados. Um trabalho só está bem criado quando ele também está bem produzido. Do contrário, qualquer estratégia inicial vai pros ares. A criação só termina lá na produção. Quando ela está bonitinha nas ruas.

Tem atendimento, diretor de criação, redator, diretor de arte, o mídia e o produtor da agência e fornecedores envolvidos, com o propósito de fazer o melhor, cada um do jeito que sabe. Aí sim, podemos afirmar que estamos bem armados, prontos para conquistar territórios. Porque nem a batalha da criatividade se vence sozinho.

Por João P. Pitanga, redator da Prósper.

Regionalização da Mídia X Regionalização da Comunicação

15/10/09

Por Gabriela Sipioni, Executiva de Mídia da Prósper.

Um país com tamanho de continente, com um povo diferente em cada canto, com culturas diversificadas e um vocabulário regional extenso, onde lagartixa e taruira têm o mesmo significado, onde “trem” representa mais que vagões e “pocar” é um verbo mais que conjugável. Esse é um pequeno retrato do Brasil, uma nação muito diferente de todas as outras, onde as especificidades locais são essenciais para se entender o modo de vida de cada brasileiro.

Diante desse cenário, discute-se no mercado publicitário a regionalização da propaganda, desde sua criação até as estratégias de mídia. Tema do Maximídia 2009, o assunto levantou o debate de como se fazer propaganda para um povo tão diversificado. É certo que fórmula pronta não existe, mas alguns pontos abordados nos faz, como publicitários, rever os nossos conceitos. Entre eles, está o que eu destaco como principal. Para Orlando Xavier, representante da Rede Record, o que está em jogo nesse caso é a diferença entre regionalização da mídia e regionalização da comunicação.

Regionalizar a mídia significa apenas comprar inserções praça a praça. É somente a junção de grades de programação distribuídas por todo o Brasil, onde o material exibido provavelmente será o mesmo ou, no máximo, terá um sotaque diferente para identificar a qual região do país ele se destina. Essa regionalização é feita com alguns cliques e consultas a tabelas de preços, onde o maior trabalho envolvido é apenas a conferência de descontos. Em compensação, regionalização da comunicação envolve todo o processo de criação de uma campanha, desde seu conceito aos produtos que chegarão ao consumidor. Trata-se de entender o público alvo e qual é a relação que ele possui com sua cultura local. Em um dos mais brilhantes exemplos apresentados no painel do Maximídia, me deparei com a produção regional de teledramaturgia.

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Na publicidade, uma tragédia vence qualquer ideia

9/09/09

Por João Pitanga, redator da Prósper

No começo deste mês (setembro), o mercado da publicidade tremeu com a passagem de um tsunami, que teve origem em uma agência de São Paulo e devastou o mundo inteiro. Bom, pelo menos o mundo dos publicitários brasileiros e dos americanos, publicitários ou não, que se ofenderam e muito. Mas a minha intenção não é julgar os culpados-criativos responsáveis pela campanha e muito menos quem da WWF Brasil, que assina as peças, a aprovou. Quero opinar sobre até que ponto a criatividade de uma agência pode ir ao desenvolver uma campanha para um cliente.

As agências que atendem a WWF sempre entraram forte na criação, com imagens chocantes e textos inteligentes abordando a consciência ambiental. É o que se espera de uma organização não-gorvernamental dedicada à conservação da natureza e um dos papéis da publicidade: chamar a atenção para obter resultados. Mas em certos momentos, para criar, ser criativo não basta; é preciso ter senso e conhecimento. Com meu olhar crítico de publicitário, a campanha ficou genial, impactou, foi bem finalizada, tratou o assunto de forma original, mas gerou polêmica pela infelicidade de pegar como link uma tragédia que abalou os Estados Unidos e, consequentemente, o mundo inteiro, o 11 de setembro no World Trade Center. Foi mais ou menos como colocar a carroça da criatividade na frente dos bois do bom-senso, mexendo com o sentimento do americano. Esse fato serve como grande ponto de atenção para sempre avaliarmos uma boa ideia, enxergar lá na frente as consequências que ela pode gerar. Fica o alerta para todos nós. Agora é hora de o publicitário brasileiro provar que depois de toda tempestade vem a bonança, ofuscando esse “deslize” com campanhas que juntam genialidade e sensibilidade. E isso fazemos muito bem.

Para quem não viu, o anúncio que deu origem a toda essa polêmica está abaixo, e conheça toda a história da campanha incluindo o VT aqui.

No texto: “O tsunami matou cem vezes mais pessoas do que o 11 de Setembro.
O planeta é brutalmente poderoso. Respeite. Preserve.”

O uso do estrangeirismo – evolução ou perda de um idioma?

10/08/09

Por Gabriel Vogas, redator da Prósper.

Em julho deste ano, o governador do Paraná Roberto Requião aprovou uma polêmica lei estadual de autoria dele próprio proibindo o uso de palavras e expressões estrangeiras na publicidade, salvo se viessem acompanhadas de sua tradução. O descumprimento da mesma acarretaria multa para anunciantes e agências. A lei foi suspensa por liminar conseguida pelo Sindicato das Agências de Propaganda do Estado do Paraná (Sinapro-PR), mas ficou a discussão: até onde o uso de neologismos atrapalha em um idioma?

Ora, com certeza vemos e ouvimos um abuso do estrangeirismo por aí. Dentro de uma agência de publicidade é um prato cheio então. São inúmeros jobs todos os dias, recheados de briefings, enquanto o cliente pede uma alteração no layout do seu backdrop e outra na letra do seu jingle. Consequência da marca constante do inglês no desenvolvimento das novas tecnologias e disciplinas, como marketing e a própria publicidade. Todavia, enquanto alguns termos realmente não têm reprodução aportuguesada (o seu mouse jamais será um rato aqui no Brasil), existem exageros. Por que “startar” uma campanha se você pode começar? Por que seu computador “inicializa” se ele pode muito bem iniciar?

Mas, embora algumas palavras doam aos ouvidos, o uso da língua vai do bom-senso de cada um. O idioma é dinâmico, está em constante desenvolvimento, achemos para melhor ou para pior. Sendo assim, não pode ser regulamentado por leis como a proposta no Paraná. O que o governador Roberto Requião considera o português de hoje já está recheado de contribuições estrangeiras, principalmente de línguas latinas (francês, espanhol, italiano), árabe, grego e recentemente o inglês, e não vejo essa intervenção como ameaça séria ao português. Assim como a escrita ainda sobrevive aos assassinatos das abreviações do MSN, a lusofonia sobreviverá à tirania da língua bretã.

Falando nisso, o nome Paraná também vem de língua diferente do português, o tupi. Será que nas peças assinadas com Governo do Estado do Paraná deveria vir a legenda: “semelhante ao mar”? Melhor não.

Imagem: Capa do livro de Sérgio Rodrigues sobre o estrangeirismo.

A importância do Recall para medir resultados

30/07/09

Em entrevista para o caderno especial do Recall de A Gazeta, Rimaldo de Sá, Diretor Executivo da Prósper, fala sobre a evolução do planejamento de comunicação no Espírito Santo, a importância do Recall como meio de mensurar resultados para as marcas e a participação da Prósper nesse mercado. Confira o texto aqui na integra.

“Passamos por um período de grandes transformações na maneira de fazer propaganda no Espírito Santo e o cliente já está consciente da importância de se trabalhar com o planejamento de comunicação. Mas esse cenário gera uma contradição, pois ainda não faz parte da cultura empresarial capixaba a compra de pesquisas.

Nesse ambiente de escassez de informação, os dados apresentados pelo Recall são indicadores fundamentais para apresentar os resultados obtidos ao longo do ano. Além disso, o histórico de 16 anos de pesquisa é um mapeamento de evolução e decadência das marcas perante o consumidor.

Pela forma como a Prósper trabalha, com seus núcleos de atendimento especializados e tendo como princípios a imersão total no cliente e o conhecimento do seu negócio, podemos afirmar que fazemos propaganda que faz a máquina registradora do cliente tilintar. O resultado confirma isso: apresenta os números de percepção do consumidor, que estão refletidos em vendas. Pelo segundo ano consecutivo, a Hi Tech Computadores é destaque no Recall, atingindo em 2009 a expressiva marca de 51,5% na lembrança do público. A meta traçada para a Vitoriawagen também foi alcançada, tendo retomado a liderança na categoria “concessionárias”. E a Farmácia Mônica, com apenas oito meses utilizando mídia de massa, vem numa escalada surpreendente e chegou ao segundo lugar em sua categoria.”

Futebol e Comunicação - Jogada de craque

12/05/09

Por Gabriel Vogas e Lucas Albani, respectivamente redator e diretor de arte da Prósper.

Nesse último sábado, o Campeonato Capixaba voltou a ser prestigiado com transmissão ao vivo pela TV, coisa que não acontecia há algum tempo na série A. Mas desta vez, ao contrário das outras raras oportunidades em que esse fato ocorreu, a emissora acertou em cheio. Encaixou os jogos na sua grade em um horário diferente dos campeonatos principais (Carioca e Brasileiro), pois a preocupação de muitos telespectadores era exatamente perder a transmissão dessas partidas em detrimento do Capixabão.

O futebol no Espírito Santo segue desprestigiado por grande parte da população e, principalmente, pelos patrocinadores. Mas ao contrário da desconfiança de muitos, já provou que tem um público fiel quando, por exemplo, teve em torno de 30.000 pagantes nos dois jogos entre Desportiva e Rio Branco na final da Copa Espírito Santo do ano passado. É bom lembrar que também esses dois jogos tiveram transmissão ao vivo, e nem por isso o público deixou de comparecer. Isso mostra que o futebol ainda é uma demanda latente do capixaba, que tem desejo em ver boas partidas, mas desconfia dos clubes nos seus modelos de administrações atuais. Esse fato gerou uma atenção especial ao Campeonato de 2009, como há muito não se via, atraindo a atenção até do governo que finalmente bateu o martelo e se movimenta para liberar a licitação das obras do Kléber Andrade.

Resta agora torcer. Torça nos estádios pelo seu clube, aproveite que o clima por aqui ainda é de muita tranquilidade nesses locais. E torça para que o futebol capixaba aproveite este raro momento de divulgação e consiga se estruturar melhor. Porque é bom lembrar, a comunicação aqui, como em todos os setores, é um importante fator, mas está longe de ser o único responsável pelo sucesso: por trás dela é preciso que seja feito um trabalho sério, para que o público volte a ter credibilidade no seu produto, neste caso, o futebol.

Gabriel Vogas e Lucas Albani são publicitários e pesquisadores de futebol e cultura.

E você, o que achou? Deixe sua opinião em nossa caixa de comentários.

Foto: Fábio Vicentini/A Gazeta

Por outras bandas

7/05/09

Mais uma vez um artigo de Rimaldo de Sá, diretor da Prósper, foi destaque no jornal a Tribuna. Conteúdo que vale muito a pena ler e você confere na íntegra aqui:

O valor das profissões específicas

É comum escutarmos em Vitória pessoas entusiasmadas com as novas profissões que estão surgindo, cada vez mais específicas. Hoje em dia há um especialista para aperfeiçoar cada detalhe de nossas vidas e prestar serviços altamente qualificados: designers de interiores e de moda, gastrônomos, turismólogos, nutricionistas, personal trainers e stylists, fonoaudiólogos, coaches…
No entanto, esse entusiasmo contrasta com a falta de valorização do exercício de atividades especializadas. É como se já bastasse essas profissões existirem só no campo dos sonhos. Afinal, saber que elas são praticadas em Vitória já nos coloca na posição de cidadãos antenados e modernos, moradores de uma capital cosmopolita.

De médico todo mundo tem um pouco. De engenheiro e advogado também. Mas para ficar só no resfriado passageiro, no telhado para cobrir a churrasqueira que o pedreiro mesmo faz ou exigir dentro de uma loja seus direitos de consumidor.

Quando o assunto ganha proporções maiores, a palavra do profissional é a que vale. Isso porque, em um passado não muito distante, essas eram as carreiras de respeito, dos doutores, das ciências e estudos que eram desenvolvidos até então.

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VIVA O TREMA

17/03/09

Por Gabriel Vogas, redator da Prósper.

Tablóide ou tabloide? Cinqüenta ou cinquenta? “Para você” é uma oferta ou um pedido de encerramento? Afinal, a Reforma Ortográfica da Língua Portuguesa chegou para facilitar ou complicar o nosso dia-a-dia?
A Reforma adotada no Brasil no início deste ano teve como premissa a unificação da escrita do idioma em todos os países lusófonos, ou seja, que tem o português como língua oficial, através de reestruturação de regras de aplicação de sinais gráficos (hífens e acentos). O primeiro problema já reside aí. As normas de acentuação e hifenização já são tão complicadas que a maioria das pessoas consegue aplicá-las apenas por memória visual. “Não sei a regra, mas sei que existe o acento.” Conseqüentemente, ao se alterar essas regras, o tempo de assimilação delas por quem já está letrado será demorado. Quem sabia escrever, terá que reaprender, quem já não sabia, então… Contribui para isso a defasagem que todos os materiais impressos antes de 2009 automaticamente passam a ter. Como assimilar as regras novas se os livros ainda apresentam as regras antigas? Sem considerar o gasto de atualização desses materiais.

Mas a reforma apresenta em si um problema muito mais grave, que vai de encontro a sua proposta: como unificar o idioma se nem todos os países adotaram a reforma, inclusive Portugal? Inclusive, alguns pontos da ortografia que diferem nos dois países não foram mencionados. “Um artista foi convidado a actuar na República Checa” (português de Portugal) ou “um artista foi convidado a atuar na República Tcheca” (português do Brasil)? Nesse caso, mais do que uma diferença de simples ortografia, temos uma clara diferença de pronúncia.

Uma reforma só teria sentido se fosse feita de forma ampla, que até demorasse mais tempo para assimilação, mas visando facilitar a escrita e trazê-la mais para perto da linguagem popular, e não apenas alterando-se pequenas regras que só complicaram ainda mais o idioma. Dever-se-ia abordar regras que há muito não são cumpridas, como a posição pronominal (para ninguém mais precisar escrever “dever-se-ia”). Porque a língua evolui no cotidiano – e evolui de forma diferente nos cotidianos tão distintos de Angola, Portugal, Moçambique, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste e São Tomé e Príncipe – e não por decretos. Mas fato (ou seria facto?) é que a Reforma está aí e chegou para complicar. Que as gramáticas nos ajudem.

Obs 1: O texto acima foi grafado na ortografia antiga propositalmente (ver grafia de “conseqüentemente”).

Obs 2: Não se preocupe, mesmo assim as peças da Prósper já estão sendo grafadas na nova ortografia.

Interatividade Analógica

11/02/09

Por Gabriela Sipioni, mídia da Prósper.

Esse mês fomos contemplados no Espírito Santo com a inauguração da TV Digital. Sendo a 11ª praça a ter acesso a essa nova tecnologia, fomos apresentados também a todas as possibilidades que ela nos trará, não só como publicitários, mas também como telespectadores do principal veículo de comunicação brasileiro.

Sem falar na qualidade de imagem, que é algo impressionante e inimaginável em uma TV até pouco tempo, o que mais me chamou atenção foi a possibilidade de interagir com o público através da tela. O telespectador poderá participar, a longo prazo, da programação, votar no BBB, dar sua opinião, ter acesso a informações adicionais, entre outras diversas possibilidades. É a famosa interatividade que fará parte do nosso dia-a-dia e dará aos produtores de TV um canal de retorno com o público.


Totalmente fascinada com tudo o que poderíamos fazer com essa tecnologia, fui atingida em cheio por uma matéria a respeito da nova novela das oito. Um dos personagens está desenvolvendo um blog no enredo do folhetim. Até aí, tudo bem, mas o blog está disponível na internet para que todos possam acessar e deixar comentários, que serão lidos pelo personagem durante a novela.

Além disso, ele passará a produzir vídeos que ficarão famosos na blogosfera e, para tal, contará com a ajuda de um personagem da vida real, que se tornou famoso pelo mesmo motivo. Trata-se do estudante que interpreta o personagem principal da série “Confissões de um Emo”, vídeo divulgado no You Tube que já atingiu a marca de mais de 5 milhões de visualizações.

Comecei então a refletir sobre a interatividade que já tínhamos, mesmo com a TV analógica. Há aproximadamente cinco anos tornou-se parte das novelas o seu site na internet. Além de divulgar o capítulo do dia, o próximo e o que irá acontecer na trama, os sites se tornaram um canal de comunicação com retorno do público. Através das várias enquetes, os autores tiveram acesso ao que o povo queria dos personagens. Tanto em “Senhora do Destino” quanto “América”, o destino amoroso dos protagonistas foi decidido através das enquetes, onde os telespectadores votaram que as mocinhas terminassem com pares românticos não previstos na sinopse da novela.

Passando para o jornalismo, o público pode hoje pedir a sua matéria através dos sites. O “Fantástico” permite que o telespectador mande seu vídeo, que é exibido ao vivo. O quadro “Bola cheia e o bola murcha” movimenta as centrais de atendimento, assim como o extinto programa “Você Decide”.

Depois de tanto devanear a respeito, continuo acreditando que o advento da TV Digital vai mudar nossa forma de ver televisão. A abertura da interatividade em tempo real através do controle remoto permitirá um mundo de novas possibilidades. Mesmo assim, fiquei impressionada com a forma como a TV atual se adaptou a falta dessa ferramenta e, mesmo assim, conseguiu ter um retorno do público em relação ao seu conteúdo. Decidi chamar esse fenômeno de interatividade analógica.

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